quinta-feira, 9 de junho de 2011

Wargames e suas pretenções ativistas

    A indústria de games cresce a cada ano no mundo inteiro e todos já sabemos que o mercado dos jogos já ultrapassou o da música e do cinema. De acordo com o relatório de inteligência da Strategy Analytics, a indústria dos games irá faturar 64,9 bilhões de dólares em todo o mundo até 2013. No Brasil, apesar do faturamento ser bem menor que o das grandes empresas norte-americanas, o mercado de jogos cresceu 28% em 3 anos. No levantamento feito pela Pricewaterhouse Coopers LLPWilkofsky Gruen Associates, estima-se um faturamento de R$ 613 milhões em 2011 e uma cifra de R$ 799 milhões em 2014.

     Um fenômeno cultural é o Call of Duty: Black Ops, que no final do ano passado, assumiu o posto de maior lançamento da história do entretenimento, onde no primeiro dia de vendas, apenas nos Estados Unidos e Reino Unido, vendeu 5,6 milhões de cópias.



    O último lançamento do game Call of Duty, distribuido pela Activision em diversos países,  gerou polêmica no mundo todo devido seu discurso político. Na primeira missão de Call of Duty: Black Ops, o jogador tem como objetivo matar Fidel Castro. O que deixou os cubanos indignados com a "tentativa de ataque" americana. Segundo o site de notícias gerido pelo governo cubano, Cubadebate, “a lógica do novo jogo é duplamente perversa: por um lado, glorifica os atentados ilegais planejados pelo governo americano contra Fidel Castro. E por outro estimula atitudes sociopatas das crianças e adolescentes norte-americanos”. Os cubanos viram a missão do jogo como uma "tentativa de conseguir virtualmente o que os americanos não conseguiram a 50 anos: matar Fidel".

    A Activision, umas das maiores third-parties do mundo, estaria tentando trazer uma visão crítica aos jogadores? Fica claro no jogo que existe uma mensagem idealista sendo transmitida diretamente ao gamer. Podemos notar nas missões que frases ativistas estão nas narrações dos personagens.


    Segundo Sergio Amadeu da Silveira, Doutor em Ciência Política pela USP, em seu texto "Game-ativismo e a nova esfera pública interconectada", "os jogos podem atrair a atenção das pessoas que não estão acostumadas com debates políticos ou não costumam ter interesse em acompanhar processos deliberativos na esfera pública". Sem dúvida nessa interconexão entre o jogador e a história do game, existe um momento onde o jogo contribui para a formação de opinião do jogador. Os debates em comunidades virtuais onde podemos observar discursos idealistas voltados para determinado game, confirmam essa linha de pensamento e nos fazem pensar a respeito do poder do game-ativismo em "denunciar, apoiar e despertar interesse por determinadas causas e campanhas sociais, políticas e culturais".


Luana Azevedo

2 comentários:

  1. Um jogo é um jogo, não se tenta roubar um carro depois de jogar GTA por exemplo. Mas já que estamos lidando com jovens, é preciso colocar algum bom senso nisso. Uma forma de não agredir qualquer povo é usar nomes ficticios, isso aumentaria até mesmo a divulgação do jogo em países mais conservadores. Outra coisa e isso saindo do tom de seriedade, poderiam haver missões engajadas em outras áreas,além da militar. Missões de paz que ao invés de sair do perfil do jogo poderiam pelo grau de dificuldade, entreter o jogador. Sei lá ja que o jogo atinge uma enorme massa, porque não influenciar de forma positiva?
    Fica a dica

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  2. Concordo com Giba. Acredito na força da mensagem dos games no público jovem e acho que temas sociais poderiam ser mais trabalhados, incluindo nesse nicho um público mais adulto. Não podemos esquecer dos games para celular, outro crescimento viral! Parabéns pela matéria...

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